A Associação dos Defensores Públicos do Estado do Espírito Santo (ADEPES) recebeu, em sua sede, a palestra do Pedro Valls Feu Rosa, que abordou o tema “A Inteligência Artificial e o futuro do mundo jurídico”. O encontro reuniu defensoras, defensores públicos e convidados interessados em refletir sobre os impactos da tecnologia no sistema de Justiça.
Com uma exposição clara, provocativa e profunda, o desembargador trouxe reflexões sobre como a inteligência artificial já influencia o cotidiano das instituições jurídicas e quais são os desafios éticos, humanos e institucionais que se impõem diante desse novo cenário.
Durante a palestra, Pedro Valls Feu Rosa destacou que a inteligência artificial não é mais um tema do futuro, mas uma realidade presente que exige preparo e reflexão crítica por parte dos operadores do Direito.
“A inteligência artificial não é algo que virá. Ela já está entre nós e influencia decisões, fluxos de trabalho e a própria forma como o Direito é pensado.”
Segundo o magistrado, ignorar esse avanço significa perder a oportunidade de utilizá-lo a favor da Justiça, especialmente no enfrentamento da morosidade processual e na organização de grandes volumes de informação.
Um dos pontos centrais da palestra foi o alerta de que a tecnologia deve ser compreendida como instrumento de apoio à atividade humana, e não como substituta do papel do juiz, do defensor ou do advogado.
“A inteligência artificial pode auxiliar, organizar, sugerir caminhos. Mas a decisão, sobretudo aquela que envolve direitos fundamentais, deve continuar sendo humana.”
Nesse sentido, o desembargador enfatizou que a sensibilidade, a empatia e a capacidade de interpretação do contexto social não podem ser automatizadas.
Pedro Valls Feu Rosa também chamou atenção para os riscos de uma adoção acrítica e acrisolada da inteligência artificial no sistema de Justiça, especialmente quando os algoritmos não são transparentes ou reproduzem vieses estruturais.
“Não podemos delegar à máquina decisões sem compreender como ela pensa, quais dados utiliza e quais valores estão embutidos em seus algoritmos.”
Para ele, o domínio da tecnologia deve caminhar junto com responsabilidade institucional, controle democrático e compromisso com os direitos humanos.
Ao tratar do futuro do mundo jurídico, o palestrante ressaltou que as carreiras do Direito passarão por profundas transformações, exigindo profissionais cada vez mais preparados para dialogar com a tecnologia.
“O profissional do Direito que não compreender minimamente a inteligência artificial corre o risco de se tornar irrelevante no novo cenário institucional.”
Ainda assim, reforçou que o diferencial humano, a capacidade crítica, ética e interpretativa continuará sendo essencial.
A palestra realizada na sede da ADEPES proporcionou um espaço qualificado de reflexão sobre os desafios contemporâneos do sistema de Justiça, reafirmando o compromisso da entidade com o debate institucional, a formação continuada e a valorização da Defensoria Pública diante das transformações tecnológicas.